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 A China pode controlar o tempo?

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MensagemAssunto: A China pode controlar o tempo?   Qui 27 Dez 2007 - 0:49

Introdução

Todo ano, a China lança milhares de foguetes e bombas de artilharia para os céus. Eles não fazem parte de um conjunto de jogos de guerra ou de uma preparação para uma batalha com Taiwan, mas sim uma batalha contra o clima. Por meio do Programa de Modificação do Tempo, o governo chinês espera controlar as forças instáveis que existem por trás da chuva. Administrado pelo Departamento de Modificação do Tempo, uma divisão da Academia Chinesa de Ciência Meteorológica, o programa emprega e treina de 32 mil a 35 mil pessoas em toda a China, algumas são agricultores que recebem US$ 100 por mês para lidar com canhões antiaeronaves e lançadores de foguetes.

As armas pesadas são usadas para lançar projéteis contendo iodeto de prata nas nuvens. O iodeto de prata serve para concentrar umidade e provocar chuva. O processo é conhecido como semeação da nuvem e a China tem investido pesado nessa atividade, usando mais de 12 mil canhões antiaeronaves e lançadores de foguetes, além de aproximadamente 30 aviões [Fonte: Asia Times Online - em inglês].





O governo chinês acredita que lançar bombas com cápsulas de iodeto de prata nas nuvens pode conter a precipitação
pluviométrica e a poluição, assegurando um céu claro para a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim

A pesquisa chinesa sobre o controle do tempo começou em 1958, quando a prática estava ainda nos estágios iniciais. Com uma população de mais de 1,3 bilhão, a China necessita de grandes quantidades de água. Cidades como Pequim sofrem com uma névoa terrível e a chuva pode ajudar a limpar a poluição do ar. O governo está usando a semeação de nuvens para tentar produzir chuva para os agricultores, afastar a seca e encher os reservatórios de água.

Então, como isso funciona? Mesmo em áreas com umidade muito baixa, a água está presente no céu e nas nuvens. A pancada de chuva acontece depois que a umidade vai se juntando em volta de partículas no ar, levando a um nível de saturação no qual não consegue mais segurar essa umidade. A semeação de nuvens ajuda essencialmente nesse processo, fornecendo "núcleos" em volta dos quais a água se condensa. Esses núcleos podem ser sais, cloreto de cálcio, gelo seco ou iodeto de prata, usados pelos chineses. O iodeto de prata é usado porque seu formato é similar a cristais de gelo. O cloreto de cálcio é muito usado em áreas quentes ou tropicais.

A semeação de nuvens é grandemente usada no norte da China, uma área que não recebe muita chuva - seus níveis de precipitações estão 35% abaixo da média mundial e alguns de seus suprimentos de água estão muito poluídos. Zhiang Qiang, que administra o Departamento de Modificação do Tempo de Pequim, disse ao Asia Times que os níveis de água nos reservatórios de Pequim aumentaram 13% em razão da semeação de nuvens [Fonte: Asia Times Online - em inglês]. A semeação de nuvens também tem sido usada para resfriar Pequim em dias quentes.

O Departamento de Modificação do Tempo de Pequim está pesquisando como evitar a chuva na cidade no dia 8 de agosto de 2008, durante as cerimônias de abertura dos Jogos Olímpicos. O governo garantiu céu aberto durante o evento. Eles planejam fazer isso rastreando as formações de nuvens e provocando chuva nos dias que antecedem as cerimônias. Uma autoridade, no entanto, admite que apesar de a semeação de nuvens ser eficaz para evitar chuva fraca no dia 8 de agosto, ela não conseguirá evitar o início de um temporal moderado à tempestade pesada.

Os cientistas não têm certeza se a semeação de nuvens realmente funciona, mas, apesar do ceticismo, a China está avançando, gastando de US$ 60 milhões a US$ 90 milhões por ano em modificação do tempo, além dos US$ 266 milhões gastos de 1995 a 2003 [Fonte:Things Asian - em inglês]. O governo planeja produzir 50 bilhões de metros cúbicos de chuva por ano por meio desse recurso [Fonte: Asia Times Online - em inglês].

­A China tem a reputação de lançar projetos ambiciosos desde a Grande Muralha, em tempos passados, até a Ferrovia Trans-Siberiana, a mais longa ferrovia do mundo. Mas o investimento para a semeação de nuvens vale a pena? O governo pode realmente fazer chover sempre que existir necessidade?
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MensagemAssunto: Métodos de semeação de nuvens e críticas   Qui 27 Dez 2007 - 0:53

Existem três métodos de semeação de nuvens: estática, dinâmica e higroscópica. A semeação de nuvens estática implica espalhar químicos como o iodeto de prata nas nuvens. O iodeto de prata forma um cristal ao redor do qual a umidade pode se condensar. A umidade já está presente nas nuvens e a função essencial do iodeto de prata é tornar as nuvens de chuva mais propícias para descarregar sua água armazenada.

A semeação de nuvens dinâmica tem como objetivo reforçar as correntes de ar verticais, que estimulam a passagem de mais água através das nuvens, resultando em mais chuva [Fonte: Departamento de Ciência Acadêmica Universidade Estadual do Colorado - em inglês]. Até 100 vezes mais cristais de gelo são usados na semeação de nuvens dinâmica. O processo é considerado mais complexo do que a semeação de nuvens estática porque depende de uma seqüência de eventos que deve funcionar adequadamente. O dr. William R. Cotton, professor de ciência atmosférica na Universidade Estadual de Colorado, desmembra a semeação de nuvens dinâmica em 11 estágios separados. Um resultado inesperado em um dos estágios pode arruinar todo o processo, tornando a técnica menos confiável do que a semeação de nuvens estática.
A semeação de nuvens higroscópica propaga sais através de chamas ou explosivos nas partes inferiores das nuvens. Os sais crescem em tamanho à medida que a água se junta a eles. Em seu site, o dr. Cotton declara que a semeação de nuvens higroscópica é bastante promissora, mas requer pesquisas adicionais.




Um avião Cessna 340 modificado demonstra as chamas usadas para semear nuvens.
O governo do Estado Andhra Pradesh, na Índia, usou esses aviões para tentar evitar a seca no verão de 2004.

Os Estados Unidos começaram as pesquisas para controlar o tempo em 1946. Alguns estados norte-americanos utilizam programas de semeação de nuvens nos quais tentam aumentar os níveis de chuva e neve ou evitar o granizo, que pode danificar as colheitas. Uma experiência de oito anos no Texas e em Oklahoma, realizada por mais de 13.000 quilômetros quadrados, mostrou que a semeação de nuvens aumentou a precipitação, a altura das nuvens, a extensão dos temporais e a área na qual a chuva caiu [Fonte: The Edwards Aquifer Website - em inglês]. Mesmo assim, a semeação de nuvens nos EUA diminuiu desde a década de 70, quando a verba federal era de aproximadamente US$ 19 milhões por ano [Fonte: Departamento de Ciência Acadêmica, Universidade Estadual do Colorado - em inglês].

­Pesquisas sobre semeação de nuvens foram realizadas na Rússia, Israel, Tailândia, Caribe e África do Sul. Além disso, os cientistas australianos realizaram inúmeras experiências, descobrindo que a semeação estática não era eficaz sobre as planícies da Austrália, mas pareciam ser bastante eficazes sobre a Tasmânia.

Apesar de alguns testes serem bem-sucedidos, a semeação de nuvens ainda apresenta muitos problemas. A preocupação fundamental é: isso funciona? A semeação pode ser um problema do tipo "quem veio primeiro: o ovo ou a galinha?". Teria chovido em uma determinada área sem o uso da semeação de nuvens e teria chovido menos? A semeação de nuvens também é muito dependente das condições ambientais como temperatura e composição da nuvem.

Em 2003, a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos declarou que 30 anos de estudos não produziram evidências "convincentes" de que a modificação do tempo funciona [Fonte: Things Asian - em inglês]. Por outro lado, a Sociedade Meteorológica Americana afirma que alguns estudos sobre semeação de nuvens mostram um aumento de 10% no volume da chuva [Fonte:The Edwards Aquifer Website - em inglês].

A semeação de nuvens é bastante dispendiosa, apesar de ser potencialmente mais barata do que outros projetos, como desviar rios, construir novos canais ou melhorar sistemas de irrigação. Não obstante, a sedução da semeação de nuvens pode redirecionar a atenção e os investimentos de outros projetos que poderiam ser mais promissores. Portanto, questiona-se sobre alteração do tempo. Existem algumas áreas que retiram a umidade do ar que deveria ter caído como chuva em outra região?

Apesar de as empresas de semeação de nuvens garantirem que não existe nenhum perigo, permanecem as preocupações sobre a exposição à toxicidade do iodeto de prata e da contaminação do solo. Outras questões de segurança são mais transparentes. Na China, munições instáveis danificaram propriedades e até mataram uma pessoa em maio de 2006. O governo chinês afirma que melhorou o treinamento, licenças e exercícios de segurança.

No final, a semeação de nuvens tem fortes defensores, mas permanece controversa. Apesar de o exercício ter perdido seu ímpeto nos EUA, a China está contando com sua legião de agricultores que viraram deuses do tempo para limpar os céus para a realização das cerimônias de abertura dos Jogos Olímpicos de 2008.
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