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 Como funciona a fabricação de espadas

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MensagemAssunto: Como funciona a fabricação de espadas   Sex 28 Dez 2007 - 4:39

Introdução




Antes de surgirem as armas de fogo, a espada era
a principal arma utilizada no combate corpo a corpo. Ela está associada
a figuras legendárias como os cavaleiros ingleses, gladiadores romanos,
ninjas japoneses ou guerreiros vikings. As espadas são
trabalhos de arte admiráveis feitos pelas mãos experientes de
cuteleiros. Inicialmente, o termo cutelaria se referia apenas a
facas, mas ao longo do tempo, a atividade foi ampliada e, hoje, podemos
incluir a produção de espadas, machados, tesouras, navalhas e talheres.

Foto cedida por Facas Don Fogg
Uma katana japonesa
A
faixa de preços das espadas reflete a sua variedade. É possível
encontrar todo tipo de espadas, desde réplicas baratas até obras-primas
feitas à mão
Basicamente, uma espada é uma peça de metal afiada que normalmente possui entre 61 e 122 cm de comprimento com um cabo (punho)
em uma das extremidades. A outra extremidade normalmente termina em uma
ponta. Neste artigo, você aprenderá um pouco sobre a história
das espadas e saberá como elas são fabricadas, incluindo os passos
necessários para sua criação:

  • escolha de um desenho
  • seleção dos materiais
  • modelamento da lâmina
  • normalização e recozimento do aço
  • adição do gume
  • revenimento do aço
  • adição da guarda, punho e pomo
Este
artigo aborda os pontos básicos da fabricação moderna de espadas.
Existem muitos outros métodos que foram utilizados na história e muitas
diferenças entre as espadas feitas por cuteleiros de diferentes épocas
e regiões. O desenvolvimento de uma espada japonesa varia
significativamente em relação ao de uma espada européia.
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MensagemAssunto: Componentes da espada   Sex 28 Dez 2007 - 4:41

Aqui estão os principais componentes de uma espada:


Existem quatro partes básicas:

* lâmina - a extensão de aço que forma a espada. Uma lâmina típica possui seis áreas:

o gume - parte afiada da lâmina. Uma espada pode possuir um ou dois gumes. Por exemplo, uma katana japonesa possui um único gume mas uma claymore escocesa é afiada em ambos os gumes.
o ponta - extremidade da espada mais distante do punho. A maioria das espadas se afinam até uma ponta na extremidade, mas algumas linhas de lâminas são retas até a extremidade. Algumas espadas, como o sabre da Guerra Civil Norte-americana são curvadas em sua extensão.
o falso gume - parte da lâmina oposta ao gume. Uma espada de dois gumes não possui falso gume.
o faces - faces da lâmina.
o vinco - freqüentemente chamado de baixo-relevo de sangue ou calha, o vinco é um baixo-relevo estreito que corre pela maior parte da extensão de muitas espadas. A maioria das pessoas acredita que exista o vinco para permitir à lâmina remover facilmente o sangue que escapa pelo canal, reduzindo, assim, a sucção. Mas, na realidade, o vinco serve para diminuir o peso da lâmina sem diminuir a resistência. O uso de um vinco permite ao cuteleiro utilizar menos material para modelar a lâmina, tornando-a mais leve sem sacrificar demais a integridade estrutural. Isto é similar ao uso de uma viga em "I" ao construir um arranha-céu.
o ricasso - encontrado em algumas espadas, o ricasso é a parte sem fio da lâmina, próxima à guarda. Era normalmente usada em espadas mais pesadas para permitir segurá-las com a outra mão, se necessário.
o espiga - porção da lâmina coberta pelo punho. Uma espiga inteiriça é da mesma largura que o resto da lâmina e se estende para além do punho através do pomo. Uma espiga parcial não se estende totalmente pelo punho e normalmente não possui mais que a metade da largura da lâmina. O comprimento da espiga e a largura, especialmente onde fica mais estreita antes de entrar no pomo, varia de uma espada para outra. A espessura e largura de uma espiga dentro do punho determinará o manuseio da espada.

* guarda - peça de metal que impede a espada do oponente deslizar até o punho e cortar a sua mão. A guarda em espadas japonesas impedia que as mãos deslizassem até a lâmina. Muitas guardas de espadas européias também protegiam as mãos em combate corpo-a-corpo contra um escudo. Além disso, a guarda cruzada em uma espada européia pode ajudar no controle de ponto e manipulação de uma lâmina. As guardas podem variar desde uma peça cruzada simples até uma cesta inteira que quase envolve a sua mão.

* punho - sendo a empunhadura da espada, um punho é normalmente feito de couro, arame ou madeira. Ele é preso à espiga da lâmina para proporcionar uma forma confortável de empunhar uma espada.

* pomo - a extremidade da espada onde está o punho. Os botões normalmente são maiores do que o punho e impedem que a espada escape da mão além de fornecer um pouco de contrapeso para a lâmina. Eles também podem ser usados como uma forma de fixar o punho à espiga e eram às vezes forjados na mesma extensão de aço que a lâmina.

As espadas podem variar desde estritamente utilitárias até totalmente cerimoniais. Em muitas espadas, a guarda, o punho e o pomo são muito ornados.
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MensagemAssunto: Parte da história   Sex 28 Dez 2007 - 4:46

Espadas afiadas têm sido parte de nossa história desde os primeiros registros. De fato, algumas das ferramentas mais antigas utilizadas pelo homem primitivo foram pedras afiadas.



Uma espada dos sonhos criada pelo mestre da cutelaria Don Fogg
Espadas e facas têm desempenhado um papel significativo em todas as grandes civilizações. Mesmo na sociedade moderna atual, as espadas são usadas em muitas cerimônias e acontecimentos militares ou estatais mais importantes. Pense sobre os comerciais do Corpo da Marinha dos EUA e como eles focam o sabre da Marinha, ou a cerimônia de cavalaria realizada pela Rainha da Inglaterra em que uma espada é usada para tocar os ombros do indivíduo que recebe o título de cavaleiro.

As espadas mais antigas eram feitas de cobre, um dos metais mais comuns disponíveis. As espadas de cobre eram muito moles e embotavam rapidamente. Mais tarde, começaram a se feitas de bronze. O bronze é uma liga de cobre e estanho. Uma liga é uma mistura de dois ou mais metais ou elementos básicos para formar um outro metal com determinadas propriedades específicas. No caso do bronze, a combinação de cobre e estanho criou um metal mais resistente e mais flexível do que o cobre, além de permanecer afiado mais tempo.

Uma espada melhor foi desenvolvida com o advento do ferro. O minério de ferro era facilmente encontrado por todo lugar na antigüidade. Ele contém ferro combinado com oxigênio. Para fazer ferro a partir do minério de ferro, é preciso eliminar o oxigênio para formar ferro puro. As instalações mais primitivas usadas para refinar o ferro a partir do minério de ferro é chamada de ferraria (em inglês).

Em uma ferraria, o carvão (em inglês) é queimado com minério de ferro e uma boa quantidade de oxigênio (fornecida por sanfonas ou foles). O carvão é essencialmente carbono puro. O carbono se combina com o oxigênio para formar dióxido de carbono e monóxido de carbono (liberando muito calor no processo). O carbono e monóxido de carbono se combinam com o oxigênio no minério de ferro e o levam embora, deixando uma massa porosa e esponjosa chamada de ferro-gusa. O ferro-gusa era então martelado para remover a maior parte das impurezas. O metal resultante era fácil de se trabalhar, mas as espadas de ferro não mantinham bem o fio e ainda eram moles demais.

Fabricação de espadas no Brasil

Segundo Laerte Ottaiano (especialista brasileiro em arte oriental antiga), o pioneiro na fabricação de espadas japonesas no Brasil foi o imigrante nipônico Yoshisuke Oura, que residiu em Suzano - São Paulo - e iniciou suas atividades em 1936, vindo a falecer em 2000 (aos 90 anos). Suas espadas foram as primeiras produzidas comercialmente no país, mas o artesão atendia exclusivamente a colônia japonesa.

Entretanto, nenhuma espada produzida no Brasil foi tão falada quanto as do japonês Kunio Oda. Seu avô paterno foi quem o ensinou a arte de produzir lâminas e ele executou sua primeira espada em 1930, com apenas 18 anos.

Nascido em 1912, Kunio veio para o Brasil em 1957, para trabalhar como agricultor no interior de São Paulo, mas exerceu essa atividade durante poucos anos. Em 1966, estabeleceu-se na cidade de São Paulo, no tradicional bairro da Liberdade, reduto principal da colônia japonesa no Brasil. A partir de 1968 começou a preencher suas horas vagas produzindo espadas. Inicialmente atendia apenas a alguns membros da grande colônia japonesa. Gradualmente começou a atender também o público de nacionalidade brasileira.

Oda faleceu em 1992, aos 80 anos, e até poucas semanas antes de sua morte trabalhava diariamente em suas espadas. Alguns especialistas calculam que ele produziu, em seus 24 anos de atividade, cerca de 350 espadas. Atualmente, espadas de Oda novas, sem uso, são raríssimas.

O ferro se tornou o metal preferido para espadas e outras armas e ajudou a formar novos impérios. Armas e ferramentas tanto de ferro como de bronze tiveram um impacto incrível sobre o equilíbrio de poderes durante as eras de sua respectiva proeminência. De fato, esses períodos da história agora são conhecidos como a Idade do Aço e a Idade do Bronze.

Finalmente, o aço foi descoberto. Aço é uma liga de ferro (ferrita) e uma pequena quantidade de carbono (cementita), normalmente entre 0,2 e 1,5%. O aço era originalmente produzido usando um processo chamado de cimentação. Pedaços de ferro eram colocados dentro de um recipiente feito com uma substância com conteúdo de carbono muito alto. O recipiente era colocado em uma fornalha e mantido a uma temperatura alta por um período de tempo que podia variar de horas a dias. Durante este tempo, ocorria a migração do carbono o que significa que o ferro absorvia uma parte do carbono do recipiente. A mistura resultante de ferro e carbono era o aço.



Don Fogg trabalhando em sua forja

O aço possui algumas vantagens sobre o ferro e o bronze:

* é muito duro
* é flexível quando recebe um tratamento térmico adequado
* pode se manter afiado por muito tempo
* pode ser manuseado e modelado
* é mais resistente à oxidação e corrosão do que o ferro



Representação de uma espada celta

Atualmente, quase todas as espadas fabricadas são feitas com algum tipo de liga de aço. Na maioria dos aços modernos, também existem alguns outros elementos
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MensagemAssunto: Montando a oficina   Sex 28 Dez 2007 - 4:48

Antes que um cuteleiro possa fazer uma espada, ele precisa ter o ambiente e ferramentas adequados. Uma oficina de cuteleiro, chamada de cutelaria,
é muito parecida com uma oficina de ferreiro tradicional. Devido às
emissões e à poeira criados no processo, a cutelaria precisa estar bem
ventilada. Deve-se tomar cuidado com a colocação da forja, bigorna e
outros equipamentos para assegurar que a distância que o cuteleiro tem
de transportar o aço incandescente seja a mínima possível. O
equipamento básico utilizado pelo cuteleiro mudou muito pouco nos
últimos séculos. Para a maioria dos ferreiros, a maior mudança veio
depois que o forjamento é feito, utilizando ferramentas elétricas para
desbastar e polir o aço. Veja a seguir as ferramentas.

  • Bigorna
    - sendo o símbolo do ferreiro, a bigorna é facilmente o equipamento de
    ferreiro mais conhecido e de mais fácil identificação. Uma bigorna
    padrão é dividida em diversas partes.

    • base - é a
      porção maior da bigorna e, normalmente, possui furos de montagem na
      parte inferior para fixar a bigorna em um local seguro.
    • plataforma
      - é onde a maior parte da modelagem do aço acontece. O topo da bigorna
      é temperado para ser muito duro (também deve ser liso). As extremidades
      são ligeiramente arredondadas para assegurar que não marquem ou
      danifiquem o aço.

      Foto cedida por Facas Don Fogg
      Observe os furos corta-a-frio e de ponteira na face desta bigorna
    • bloco - pequena seção lisa entre a face e o chifre, utilizada para limagem de modo que o ferreiro não risque a face da bigorna.
    • chifre - extremidade frontal da bigorna que se afina bem abaixo do bloco até uma ponta arredondada (também chamado de bico). Usado para curvar e dobrar o aço.
    • furos corta-a-frio e de ponteira
      - recesso quadrado na plataforma da bigorna que contém algumas das
      ferramentas de modelagem descritas abaixo. O furo de ponteira é um furo
      redondo na plataforma que permite passar um malho, broca ou punção na
      bigorna. É usado para malhar e modelar furos no aço.

  • Martelos
    - o martelo é uma extensão do cuteleiro. Ele o utiliza para criar a
    forma básica da espada. Os martelos usados por cuteleiros e ferreiros,
    em geral, são ligeiramente diferentes do martelo que se encontra em uma
    loja de ferramentas. A principal diferença é que martelos de ferreiro
    são coroados, enquanto que a maioria dos martelos normais não
    são. Coroado significa que a extremidade da cabeça do martelo é
    ligeiramente arredondada em vez de reta. A coroa evita que o martelo
    faça endentações vivas no aço quando o ferreiro malha. Os martelos variam muito de tamanho e finalidade.

    • martelo bola, cruzado e reto
      - possui uma cabeça chata, coroada e uma forma arredondada (bola) ou em
      cunha (cruzada e reta) no outro lado. O martelo cruzado possui a cunha
      lateral enquanto o reto possui uma cunha alinhada com o martelo. Esse
      tipo de martelo é utilizado na maior parte do trabalho de modelagem.
    • marreta e pega simples
      - marretas tendem a ser grandes e pesadas, pesando até 9kg. São
      utilizadas quando o aço necessita de modelagem pesada e normalmente
      exigem a presença de uma segunda pessoa: uma pessoa mantém o aço sobre
      a bigorna enquanto a outra golpeia com a marreta. A marreta simples é
      uma versão menor da marreta e pode ser utilizada por uma única pessoa.
    • martelo de ajuste e achatador
      - ambos possuem grandes cabeças lisas. Como é de se esperar, a
      utilização principal do achatador é achatar o aço. O martelo de ajuste
      é utilizado para fazer quinas retas e extremidades lisas.

  • Tenazes
    - são ferramentas versáteis que nenhum ferreiro pode dispensar. Uma
    ferraria típica possui vários pares de tenazes que são utilizadas para
    segurar o aço enquanto ele é modelado sobre a bigorna. Elas também são
    utilizadas para colocar o aço na forja e recuperá-lo, bem como para dar
    o banho de resfriamento no aço.
  • Ferramentas de moldagem
    - com grande freqüência, o ferreiro precisa fazer determinadas coisas
    com o aço que seriam muito difíceis com um dos martelos e é nesse
    momento que ele pode escolher ferramentas mais especializadas.

    • corta-a-frios
      (bicos, vasos e machos de estampar) - são as ferramentas que se
      encaixam no furo corta-a-frio da bigorna. Um bico é uma peça
      arredondada que pode ser utilizada para curvar e entortar o aço, como
      um pequeno chifre. Os encalques são utilizados para fazer canaletas. De
      fato, é por isso que a canaleta em uma espada é chamada de encalque.
      Estampas são utilizadas para forçar o aço em determinadas formas, como
      triangular, quadrada ou hexagonal.
    • espátulas - são utilizadas para cortar ou goivar o aço.
    • punções e ponteiras
      - punções são utilizadas para fazer, ou pungir, um furo através do aço.
      Ponteiras são utilizadas para expandir um furo existente. O furo de
      ponteira na bigorna fornece um local para a punção ou ponteira passarem
      quando atravessam o aço.

  • Forja - as
    ferramentas mencionadas acima permitem modelar o aço quando ele está
    quente. Para aquecer o aço é necessária uma forja. Os tipos de forja
    incluem a carvão, gás e elétrica. A maioria dos
    cuteleiros possui um desses três tipos como sua forja principal. O
    tempo e temperatura podem variar bastante dependendo do aço utilizado e
    da técnica própria do cuteleiro.
  • Tanque de resfriamento
    - recipiente grande de metal cheio de óleo. O aço é submerso neste
    tanque após ter sido modelado. O óleo utilizado no tanque de
    resfriamento melhora o endurecimento do aço.
  • Banheira de resfriamento - trata-se de um grande barril ou recipiente de água utilizado para resfriar o aço e as ferramentas.
  • Ferramentas adicionais
    - a maioria dos cuteleiros possui algumas ou todas as ferramentas
    listadas aqui para completar a sua ferraria. Complementos das
    ferramentas normais, como chaves de fenda, serras, alicates e chaves de
    boca são úteis, tais como:

    • limas - utilizadas para eliminar cantos vivos e rebarbas
    • morsa - utilizada para segurar as peças em uma posição fixa enquanto o cuteleiro trabalha
    • prensa hidráulica - utilizada para modelagem bruta achatando o aço
    • maçarico - utilizado para cortar e fazer a modelagem bruta do aço
    • esmeril - utilizado para tudo desde modelagem básica até pré-polimento
    • polideira - utilizada para polir a lâmina finalizada
    • furadeira de prensa - utilizada para fazer furos no aço


Foto cedida por Facas Don Fogg
Uma prensa hidráulica construída por Tommy McNabb
Quando as ferramentas estiverem em seus lugares, o cuteleiro precisa decidir o que ele vai fazer e que tipo de aço utilizar.
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MensagemAssunto: Escolhendo o grau   Sex 28 Dez 2007 - 5:12

O tipo de liga de aço que o cuteleiro utiliza para fazer uma espada depende basicamente da sua experiência e as características que ele deseja na lâmina. A liga utilizada é quase sempre uma forma de aço carbono. Uma determinada quantidade de carbono é necessária para conferir ao metal a dureza suficiente para que ele seja afiado e mantenha o fio. Mas carbono demais diminui a flexibilidade da lâmina, tornando-a quebradiça e mais propensa a se partir.

Jim Hrisoulas, autor de "The Complete Bladesmith" (O Cuteleiro Completo) recomenda um aço com um conteúdo de carbono ao redor de 60 a 70 pontos. No aço, o conteúdo de carbono é listado em pontos, com cada ponto correspondendo a 0,01 % da composição total. Portanto, uma classificação de 70 pontos significa que a liga possui 0,7 % de carbono na mistura. Don Fogg na verdade utiliza aço 1086 (0,86 % de carbono) e obtém resultados superiores. No entanto, uma classificação mais alta nem sempre significa um aço melhor. Um processo de tratamento térmico cuidadoso permite obter lâminas muito duras que são resistentes e fortes.



O aço em uma lâmina deve possuir uma classificação de carbono de 60 a 70 pontos

A maioria das ligas de aço inclui um ou mais dos seguintes elementos, cada um fornecendo determinadas vantagens (e algumas desvantagens). Apesar dos elementos listados abaixo serem os mais comuns, há muitos outros que aparecem na liga.

* Cromo - ajuda na dureza. É utilizado em ligas de aço inoxidável e pode fazer com que o aço apresente rachaduras durante a forjamento.
* Tungstênio - proporciona um gume afiado e duradouro. É difícil de forjar.
* Manganês - agrega resistência durante o tratamento térmico.
* Molibdênio - mantém o aço duro em temperaturas mais elevadas. É muito difícil de forjar quando presente em grandes quantidades.
* Níquel - agrega resistência e não aumenta a dureza. Aparece em maior concentração em ligas de aço inoxidável.
* Silicone - melhora a flexibilidade e dureza. Pode aumentar a condutividade da liga.

Antes de escolher um metal, o cuteleiro cria um desenho para a lâmina e determina quais serão as características mais importantes para tal lâmina. O cuteleiro também decide qual método empregar para criá-la. Isto determinará quais metais podem ser utilizados, especialmente ligas de aço inoxidável. O aço inoxidável é incrivelmente difícil de forjar e temperar adequadamente, mas um cuteleiro pode comprar barras de aço inoxidável e laminá-las para adquirir a forma desejada empregando o processo de remoção de material. Na remoção de material, uma lâmina de espada é feita pegando uma peça de aço e removendo partes dela, cortando e laminando até obter a forma desejada. A maioria dos cuteleiros prefere a flexibilidade que o forjamento proporciona ao criar espadas sob medida. Uma lâmina forjada é criada aquecendo-se o metal e malhando-o para adquirir a forma.

Espadas forjadas podem conter um único metal ou uma combinação de metais. A forma mais fácil e comum de espada forjada utiliza uma única liga de aço para criar a lâmina. Os desenhos são, às vezes, gravados ou esculpidos no aço para simular a soldagem de padrões mais complicados e lâminas Damasco.

Soldagem de padrões, também chamada de aço laminado ou aço damasco de padrão soldado (veja abaixo), utiliza dois ou mais metais combinados durante o processo de forjamento. Normalmente, camadas de uma liga de aço são combinadas com camadas de um metal mais mole, como o níquel. As camadas são dobradas umas sobre as outras inúmeras vezes, o que ajuda a remover ainda mais quaisquer impurezas do metal. Isso também multiplica o número total de camadas. Se um cuteleiro começar com três camadas de níquel entre quatro camadas de aço, então dobrar uma única vez duplicará o número de camadas para 14. Outra dobra faria 28 camadas e uma terceira criaria um total de 56 camadas!



Uma lâmina Damasco de padrão soldado criada pelo mestre cuteleiro Don Fogg

À medida que as dobras prosseguem, o metal mais mole se solda ou adere às camadas de aço juntas para formar um todo. As camadas de metal mais mole conferem à espada maior flexibilidade sem sacrificar a dureza do aço necessária para o gume. Quando a lâmina está completa, ela passa por um banho ácido que revela o contraste entre os metais utilizados. Os padrões criados pelos diferentes metais agregam uma incrível beleza à lâmina e podem ser bastante confusos.

Aço Damasco
Uma técnica que era tida como perdida por muitos séculos, o verdadeiro aço Damasco já foi muito confundido com o aço de padrão soldado. De fato, muitos fabricantes de espadas e comerciantes ainda se referem às lâminas de padrão soldado como aço Damasco.



Detalhe de um padrão de pena em uma lâmina Damasco

J. D. Verhoeven, A. H. Pendray e W. E. Dauksch publicaram um artigo na edição de setembro de 1998 do Jornal de Metalurgia sobre o aço Damasco que deu uma reviravolta no mundo da fabricação de espadas. Eles afirmaram que o aço Damasco verdadeiro é aço Wootz. Wootz era uma forma de aço feita na Índia que continha um teor de carbono muito alto. Quando o aço era forjado, uma parte do carbono se separaria em bandas. Essas bandas apareceriam em cor muito clara e o resto do aço se tornaria bastante escuro quando polido e desenhado. O resultado era um padrão altamente contrastante. À medida que os cuteleiros aprenderam a trabalhar com o aço Wootz, eles descobriram que poderiam tornar os padrões bastante intrincados alterando o ângulo da lâmina em relação às bandas de carbono e aço.
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MensagemAssunto: Malhação   Sex 28 Dez 2007 - 5:14

A forja de um cuteleiro é basicamente um forno grande muito
aquecido. Cuteleiros tradicionais tendem a utilizar forjas de carvão,
mas outros preferem a forja a gás ou eletricidade. Independente do tipo
que um cuteleiro utiliza, o resultado desejado é o mesmo: aquecer o aço
a uma temperatura adequada para modelar a espada.

Foto cedida por Facas Don Fogg
Don Fogg trabalhando em sua forja
O
aço se torna vermelho vivo ao redor de 649º a 816º e incandescente e
laranja a cerca de 982º C. A maioria das ligas de aço deve começar a
ser trabalhada por volta desta faixa. Se o aço estiver mais frio e
parecer azulado, ele pode ser estraçalhado pela martelagem. Por outro
lado, o aço não deve ser aquecido acima de 982ºC a menos que
especificado pelas orientações da liga. Após o aço ser aquecido, o primeiro passo é chamado de retirada.
Quando você retira uma porção de aço, está aumentando o comprimento do
aço e reduzindo a espessura. Em outras palavras, você o está achatando
na forma básica da espada. Ao malhar sobre uma das extremidades, o
cuteleiro pode fazer com que o aço se curve em seu comprimento para
criar uma espada curva.

Foto cedida por Facas Don Fogg
Um aluno de Don Fogg retirando o aço
Depois, o cuteleiro começa a espalmar
a lâmina. Espalmar serve para criar a ponta e espiga da lâmina. Isto é
feito malhando-se em ângulo, começando pelo ponto onde a quina deve
iniciar e continuar até o final da lâmina. Muitas vezes esse processo
cria uma lombada na grossura da lâmina que precisará ser retirada. Uma
vez que a espiga estiver completa, o cuteleiro normalmente utilizará um
kit de punção e rosca para fazer roscas no final da espiga para aparafusar o pomo. O
cuteleiro continuará a trabalhar na lâmina uma seção de cada vez. Ele
faz isso aquecendo aquela parte da lâmina (normalmente cerca de 15,24 a
20,32 cm) até que fique vermelho-vivo e modelando-a com o malho e
outras ferramentas. Ele virará a lâmina diversas vezes durante a
malhação para assegurar que ambos os lados foram trabalhados por igual.
Em determinados pontos durante o processo de forjamento, o cuteleiro normalizará
o aço. Isto significa simplesmente que o aço é retornado à forja e
aquecido novamente. Então, ele é deixado para esfriar sem que o
cuteleiro faça nada com ele. O objetivo da normalização é aliviar o grão
(estrutura cristalina) do aço. Essencialmente, toda vez que o ferreiro
aquece uma seção da lâmina e trabalha nela, ele altera o grão do aço
bem como a sua forma. O aço é aquecido a uma temperatura que o faz austenitizar
(as moléculas de ferro e carbono começam a se misturar). O aço é
removido da forja e resfriado ao ar. Isto reduz a tensão causada por
irregularidades na composição da lâmina e assegura que o grão seja
uniforme por toda a lâmina. Finalmente, antes da fase de retífica e polimento, a lâmina é recozida.
O recozimento é bem similar à normalização da superfície, mas
certamente produz um resultado diferente. O aço é aquecido à
temperatura adequada para austenitizar. O aço então é resfriado
novamente de forma bem gradual. Normalmente, um material isolante é
utilizado para assegurar que o aço não resfrie rápido demais. O
recozimento leva dias. Sua finalidade é tornar o aço macio e fácil de
retificar ou cortar. Assim que o recozimento está completo, o cuteleiro
pode começar a retificar a lâmina.
Foto cedida por Facas Don Fogg
Um aluno do mestre cuteleiro Don Fogg limando uma lâmina de espada
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MensagemAssunto: Corte final   Sex 28 Dez 2007 - 5:22

Agora que a lâmina foi recozida, o cuteleiro pode gravar quaisquer
desenhos e formar o fio e a ponta da lâmina. Utilizar um esmeril de
correia é a maneira mais comum de afiar a espada, mas alguns cuteleiros
preferem trabalhar com limas. Como
o aço é mole, ele não manterá o fio se você tentar cortar qualquer
coisa neste momento. O aço precisa de um tratamento térmico para endurecê-lo. O cuteleiro aquece novamente a lâmina até o ponto de austenitização.
A lâmina precisa ser aquecida por igual durante este processo. Apesar
de muitos cuteleiros utilizarem a sua forja para este processo, alguns
utilizam um banho de sal. Os sais são aquecidos a uma
temperatura adequada e a espada é suspensa no banho de sal por um
determinado tempo. Os sais utilizados no banho de sal se liquefazem a
uma temperatura mais baixa do que é necessário para o aço, mas além
dessa temperatura permanecem líquidos, criando um perfeito "banho
quente" para a lâmina. De modo parecido com um banho-maria, os sais
aquecem por igual todo o aço.

Foto cedida por Facas Don Fogg
Um banho de sal utilizado por Don Fogg
Quando a lâmina é removida da forja ou banho de sal, ela deve ser colocada imediatamente no tanque de resfriamento.
O óleo no tanque de resfriamento faz o aço resfriar rapidamente e por
igual. Se o aço não se resfriar por igual por algum motivo, a lâmina
pode entortar ou sofrer pequenas rachaduras. Além disso, a lâmina não
pode ser deixada no óleo tempo demais ou removida precocemente.
Qualquer erro pode arruinar a lâmina. Existem orientações gerais sobre
quanto tempo temperar a lâmina com base no tipo de aço, óleo ou outro
meio de endurecimento no tanque de resfriamento, além da espessura da
lâmina. A maioria dos cuteleiros lhe dirá que é principalmente uma
combinação de experiência e instinto que os ajuda a saber quanto tempo
é o suficiente. A têmpera fixa a cementinta dentro da ferrita e cria um
aço muito duro chamado martensita. Agora que o aço está endurecido, ele pode ser revenido. O revenimento, ou tratamento térmico,
é feito aquecendo-se a lâmina novamente. A diferença é que ela não é
aquecida até o ponto em que a austenitização ocorre. O revenimento
utiliza uma temperatura muito mais baixa, novamente com base no aço
utilizado. A lâmina é mantida nessa temperatura por um tempo, depois é
resfriada novamente. A maioria dos cuteleiros faz vários revenimentos
para obter o nível exato de dureza. A idéia é que o metal seja duro o
suficiente para manter o fio mas não tão duro que seja quebradiço, o
que pode fazer com que ele rache ou despedace.

Foto cedida por Facas Don Fogg
Uma espada sendo coberta com gesso
Um
método comum de tratamento térmico, especialmente preferido por
fabricantes de espadas japoneses, é recobrir a lâmina, exceto pelo gume
com uma mistura úmida de gesso que seca e endurece à medida que a
lâmina é aquecida. O gesso retêm o calor e retarda o processo de
resfriamento. Alguns cuteleiros criam camadas mais grossas de gesso
cruzando a lâmina para retardar ainda mais o resfriamento nessas seções
específicas. A idéia aqui é que tais seções sejam ligeiramente mais
moles que o resto da espada para aumentarem a flexibilidade enquanto o
gume se mantém duro.
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MensagemAssunto: Retoques finais   Sex 28 Dez 2007 - 5:23

Assim que tiver sido feito o revestimento na lâmina, o cuteleiro agrega
o restante da espada. A guarda e pomo são normalmente forjados pelo
ferreiro no mesmo momento em que ele cria a lâmina. A guarda é soldada
na espada em seu lugar ou simplesmente fixada nas ombreiras e fixadas
pelo punho.

Foto cedida por Facas Don Fogg
Um bloco de madeira é preparado para ser empregado como um punho

Foto cedida por Facas Don Fogg
O punho acabado
O punho pode ser feito com vários materiais:

  • madeira
  • metal
  • arame
  • osso
  • couro
  • plástico
O
punho normalmente é encaixado sobre a espiga e fixado contra a ombreira
da espada (punhos de facas são normalmente rebitados ou colados). Ele é
fixado pelo pomo. O pomo é rosqueado na extremidade da espiga ou
encaixado sobre a espiga, sendo que neste caso a extremidade da espiga
é achatada para fixar o punho sobre ela. Algumas espadas possuem o pomo
e até mesmo a guarda criados como uma peça inteiriça juntamente com a
lâmina.

Foto cedida por Facas Don Fogg
Detalhe da guarda da lâmina
Depois
que a guarda, o punho e o pomo são agregados, a espada acabada é
alisada e polida. Finalmente, uma pedra de afiar é utilizada para afiar
a lâmina. O produto final é resultado de um árduo trabalho do
cuteleiro.
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MensagemAssunto: Re: Como funciona a fabricação de espadas   

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Como funciona a fabricação de espadas
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