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 Temperaturas baixas, cieiro e frieiras em alta

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MensagemAssunto: Temperaturas baixas, cieiro e frieiras em alta   Seg 17 Dez 2007 - 17:01

Temperaturas baixas, cieiro e frieiras em alta

As mudanças climatéricas exercem influência sobre a pele e, consoante as estações do ano, surgem diferentes problemas dermatológicos. Em dias mais frios e ventosos, poucas pessoas conseguem manter os dedos das mãos e pés ilesos das torturantes frieiras e menos serão aquelas cujos lábios permanecem imunes ao incomodativo cieiro.


Os lábios são o alvo preferido do cieiro, mas este problema pode, também, manifes*tar-se nas regiões malares da face (maçãs do rosto), no nariz e no dorso das mãos (as zonas do corpo mais expostas às agressões climatéricas).

O cieiro mais incidente – o dos lábios – pode aparecer em qualquer altura do ano, mas é no Inverno que se torna mais frequente e incómodo. Os lábios começam por ficar secos, depois gretados e com películas de pele ressequidas que, a maior parte das pessoas, tende a querer cortar com os dentes. Por fim, e porque a impaciência impede que estas peles gretadas desapareçam naturalmente, os lábios ficam sem pele em algumas zonas, sangrando e formando feridas.

Para os mais pacientes, que se aguentam sem morder os lábios ou molhá-los constantemente com a saliva, o cieiro pode ser passageiro e não acarreta consequências tão extremas quanto o sangramento e as feridas.

Tudo tem uma razão de ser e o cieiro também tem a sua. «Deve-se a alterações da camada superficial da pele – o estrato córneo», diz o Dr. Vasco Sousa Coutinho, dermatologista do Hospital de Santa Maria. E por que se altera esta camada mais superficial? São vários os agentes que podem desencadear este processo ao removerem e secarem a gordura natural da pele. Entre eles, destacam-se o álcool, o tabaco, ou a ingestão insuficiente de água. No entanto, a principal causa do cieiro é a exposição ao frio seco.

Como explica o dermatologista, «no Inverno, devido ao frio, há uma contracção das veias e artérias superficiais para diminuir as perdas de calor do nosso corpo. Em consequência, as glândulas sudoríparas (produzem o suor) e sebáceas (produzem a gordura), irrigadas por estes vasos, passam a funcionar mal, fornecendo menos líquidos e gordura ao estrato córneo (camada mais superficial da pele ou epiderme), que seca e abre fissuras».

A baixa humidade ambiente do Inverno (provocada, por exemplo, pelos ares condicionados) e o vento são factores que agravam o cieiro, pois secam ainda mais a pele, atingindo, principalmente, os lábios e as mãos. As pessoas que habitualmente já têm pele seca ou as crianças antes da puberdade são as mais susceptíveis a so*frer de cieiro, pois a sua pele é mais fina e a secreção sebácea é menor.

Prevenir o cieiro é uma tarefa complicada, pelo menos a avaliar pelas palavras de Sousa Coutinho: «Não podemos alterar grandemente os nossos hábitos para combater o cieiro, excepto tentar humidificar o ambiente quando se têm caloríferos ou aparelhos de ar condicionado que secam muito o ar.»

Controlar a humidificação dos lábios com saliva é, sem dúvida, difícil, mas deve ser um hábito a adoptar, pois este acto retarda o processo de reabilitação da pele dos lábios afectada pelo cieiro.

Depois do prurido e das fissuras na pele, o cieiro tem como consequências mais graves as infecções superficiais (impetigo) e outras mais profundas como a erisipela e a celulite, podendo, também, evoluir para eczema. Por isso, o controlo e tratamento desta irritação da pele é essencial.

O tratamento consiste em restabelecer a função de barreira da epiderme e, assim, travar a perda excessiva de água na superfície cutânea. Para este efeito, podem usar-se produtos de aplicação tópica de que são exemplo os emolientes e substâncias hidratantes (como o ácido lácteo ou a ureia), cuja aplicação repetida restaura mais eficazmente a elasticidade da pele.

Batons, pomadas, cremes, bálsamos, de várias marcas, cores e sabores abundam no mercado e dizem-se eficazes contra o cieiro. Este elevado número de produtos «apenas traduz a grande procura que existe, pois o cieiro é uma situação comum e recorrente», diz este especialista.

Serão todos estes produtos eficazes? Basta estar atento à sua composição, pois se entre os seus componentes constar, por exemplo, a ureia ou o ácido láctico serão, segundo a opinião deste dermatologista, «produtos eficazes no tratamento do cieiro».
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